Para homenagear as mulheres Mato-grossenses e lacerdenses, preparamos uma série com 2 matérias onde contaremos uma breve história de algumas mulheres que fizeram parte da história do nosso estado. A última sairá no dia 8 de março! Não perca!
A data celebra as muitas conquistas femininas ao longo dos últimos séculos, mas também serve como um alerta sobre os graves problemas de gênero que persistem em todo o mundo.
ORIGEM DA COMEMORAÇÃO
A ideia de uma celebração internacional dedicada às mulheres surgiu em 1910, como uma proposta da dirigente socialista alemã Clara Zetkin. A data, entretanto, só foi escolhida depois de 8 março de 1917, quando um grupo de mulheres realizou uma manifestação em Petrogrado (atual São Petersburgo), na Rússia. Elas pediam melhores condições de vida e a retirada do país da Primeira Guerra Mundial.
Popular entre os países comunistas, o Dia Internacional da Mulher só se popularizou no Ocidente a partir de 1975, ano em que a Organização das Nações Unidas reconheceu formalmente a data.
Para esse primeiro artigo, contaremos a história de 4 mulheres: Dunga Rodrigues, Bartira de Mendonça, Sarita Baracat e Zulmira Canavarros.
A MULHER QUE OCUPOU A 39º CADEIRA DA ACADEMIA MATO-GROSSENSE DE LETRAS
A professora, musicista, historiadora e escritora Maria Benedita Deschamps Rodrigues (Cuiabá-MT, 1908 – Santos – SP, 2006) ficou conhecida como Dunga. Sob orientação da professora polonesa Helena Müller, aprendeu a extrair a intensidade do som do piano logo cedo. Sinônimo de cultura, foi uma das mulheres mais notáveis em Mato Grosso no século passado.
Livros como Reminiscência de Cuiabá (1969); Marphysa (1981) e Colcha de Retalhos (2000) lhe renderam a cadeira de nº 39 na Academia Mato-grossense de Letras (AML), espaço até então reservado majoritariamente aos homens. Foi também membro da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg) e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT).
Além das diversas publicações sobre a cultura e história da Capital e do Estado, a ela são atribuídos memoráveis recitais e a formação de incontáveis músicos. Não poderia ser diferente. Lecionou durante 52 anos em escolas públicas e conservatórios de Cuiabá, onde ensinava também língua francesa. Lembrada pela irreverência e simpatia, faleceu em janeiro de 2006, deixando inestimável legado.
UMA MULHER ESQUECIDA PELA PRÓPRIA FAMILIA
Também em Cuiabá, conhecida como Chiquinha Gonzaga, foi a dona Bartira de Mendonça, irmã de Rubens de Mendonça.
Diziam que a casa dela, era povoada de crianças, embora não tenha tido filhos. As crianças iam buscar suas aulas de piano, violão e pintura. Foi uma ilustre compositora, uma artista plástica, uma mulher super versátil, mas que foi esquecida inclusive pela sua família, já que na década de 30, teve a ousadia de separar-se do marido e unir-se a outro homem.
UMA MULHER QUE DEIXOU SEU LEGADO COMO VEREADORA, PREFEITA, DEPUTADA ESTADUAL E SECRETÁRIA DE ESTADO
O primeiro emprego de dona Sarita Baracat foi aos 20 anos, como tesoureira da prefeitura. Aos 22, iniciou no magistério, ministrando aulas de sociologia, história e geografia. Só então, em 1957, ingressou de vez na política. Concorreu ao cargo de vereadora e foi a mais votada naquela eleição.
Em 1966, após desistência do candidato oficial do Arena na campanha para prefeitura, teve, por ser a presidente do partido, de assumir a empreitada, que, por sinal, foi muito bem-sucedida, tornando-se assim a segunda mulher eleita prefeita no Estado. Alguns anos depois, em 1978, foi eleita deputada estadual pelo MDB, consolidando sua trajetória política em Mato Grosso.
Neste meio tempo, em 1960, se casou com Emanuel Benedito de Arruda. Eles tiveram dois filhos; o jornalista Fernando Baracat e o ex-deputado Nico Baracat, falecido, em 2012, após um trágico acidente de carro. Até os 86 anos, viveu no casarão onde foi criada pelos pais, um espaço arborizado e sempre frequentado por parentes e amigos.
Sarita morreu no dia 10 de outubro de 2017, aos 87 anos, deixando para trás um legado como vereadora, prefeita, deputada estadual e secretária de Estado, em um tempo em que poucas mulheres ocupavam esses espaços e é sem dúvida uma pioneira.
A MULHER PIONEIRA NO FUTEBOL MATO-GROSSENSE
Zulmira Canavarros foi a primeira mulher em Mato Grosso a fundar um clube de futebol. Trata-se do Mixto Esporte Clube, fundado a 20 de maio de 1934. Professora, compositora, pianista e dramaturga. Foi, também, uma intensa ativista cultural e social.
Considerada uma mulher de vanguarda e disciplinada, bem como, um gênio musical em Mato Grosso, da primeira metade do século XX. Foi pianista, compositora e arranjadora de talento. Possuía a genialidade, espontaneidade, criatividade e versatilidade para musicar versos, comédias, e teatro de revistas. Canavarros, juntamente com Dunga Rodrigues, começou a desenvolver o Rasqueado no piano solo.
Fontes de pesquisa:
Almanaque Cuiabá
SECEL
Assembleia Legislativa
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