A 2ª Vara Criminal de Sorriso (MT) aceitou, na sexta-feira (6), a denúncia contra o investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, suspeito de estuprar uma detenta dentro da delegacia do município. As informações foram divulgadas pelo g1.
Com a decisão, o policial passa a responder como réu na Justiça. O processo tramita em segredo. O g1 informou que tenta localizar a defesa do investigador.
Segundo o portal, um laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), divulgado na quinta-feira (12), confirmou por meio de exame de DNA que houve “conjunção carnal” entre o investigador e a vítima. Apesar de o documento pericial não mencionar expressamente estupro, o policial foi indiciado pelo crime após a conclusão da investigação conduzida pela própria Polícia Civil, que representou pelo indiciamento à Justiça.
Foram realizados dois exames periciais no caso. O primeiro ocorreu em Sorriso, três dias após os fatos, e não identificou sinais externos visíveis de violência. No entanto, conforme destacou ao g1 o diretor-geral da Politec, Jaime Trevizan Teixeira, a ausência de lesões aparentes não é suficiente para descartar a ocorrência de estupro.
Denúncia da detenta
De acordo com a reportagem do g1, a detenta afirmou ter sido estuprada cerca de quatro vezes pelo investigador em dezembro do ano passado. À época, ela estava presa sob suspeita de participação em um crime, mas acabou sendo solta posteriormente por falta de provas.
Após deixar a prisão, a mulher relatou o caso ao advogado e, em seguida, formalizou a denúncia junto ao Ministério Público.
Segundo a defesa da vítima, o investigador retirava a detenta da cela e a levava para uma sala vazia da delegacia. Nas quatro ocasiões, conforme o advogado, ela teria sido ameaçada a permanecer em silêncio sob a promessa de que sua filha, menor de idade, seria morta caso denunciasse os abusos.
A delegada responsável pelo caso, Layssa Crisóstomo, informou ao g1 que outras presas foram ouvidas durante a investigação, mas, até a publicação da reportagem, não havia novas denúncias contra o policial.
Ainda segundo o portal, a delegacia onde os fatos teriam ocorrido já havia sido alvo de denúncias anteriores após o vazamento de conversas entre policiais em grupos de WhatsApp, que indicariam possíveis abusos sexuais contra outras detentas e possíveis casos de tortura contra investigados. O indiciamento do investigador, no entanto, não menciona relação com essas conversas.
Por G1MT











