SUS Inova: Membrana de Parto Humano Revoluciona Tratamento de Queimaduras

Decisão da Conitec em 2025 marca avanço histórico, com pesquisas nacionais impulsionando a nova era no tratamento de queimados.

O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo gigante no tratamento de queimaduras ao incorporar a membrana amniótica em seus procedimentos. A decisão foi aprovada por unanimidade pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em 9 de maio de 2025, abrindo um novo capítulo na medicina regenerativa brasileira. Esta medida traz esperança para milhares de pacientes e alinha o Brasil a práticas já estabelecidas em outros países.

O Brasil enfrenta uma alta incidência de acidentes com fogo. Estima-se que cerca de 1 milhão de queimaduras ocorram anualmente no país, com aproximadamente 100 mil casos demandando atendimento médico-hospitalar, dos quais 95% são tratados pelo SUS. No Mato Grosso, por exemplo, o desafio é constante; embora dados precisos sobre o número exato de pessoas atendidas com a membrana amniótica no estado ainda não estejam amplamente disponíveis devido à recente incorporação, a demanda por tratamento é alta. O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), como referência, atende a uma grande parcela desses casos, e a nova tecnologia representa um alívio significativo para a sobrecarga do sistema.

A pesquisa e a defesa do uso da membrana amniótica no Brasil contam com anos de esforço de diversos profissionais. A Dra. Michele Remião, médica de Porto Alegre, tem sido uma das figuras centrais na pesquisa e regulamentação da membrana amniótica. Ela trabalhou na formação do Banco de Olhos de Porto Alegre (que também processa tecidos humanos como a membrana amniótica) e tem participado ativamente dos debates para a incorporação. Em 2013, por exemplo, o uso emergencial da membrana amniótica já havia sido notável no tratamento de vítimas da Boate Kiss, no Rio Grande do Sul, demonstrando seu potencial e impulsionando as discussões para sua regulamentação mais ampla.

“A membrana amniótica tem um potencial incrível. Ela reduz a dor, acelera a cicatrização e diminui a necessidade de outros procedimentos”, afirma um representante da área de queimados. A aprovação da Conitec possibilita que os bancos de tecidos humanos em todo o Brasil passem a processar e distribuir o material para as unidades do SUS, ampliando o acesso a essa terapia de baixo custo e alta eficácia. Essa medida é um marco que promete transformar a vida de pacientes com queimaduras, oferecendo uma recuperação mais rápida e com menos sequelas.

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