Visita da CNDL e comitivas das FCDLs e CDLs à Câmara Federal

Tema central: articulação legislativa em defesa do comércio, serviços, empreendedorismo e pequenos negócios.

A visita institucional da CNDL à Câmara dos Deputados reuniu lideranças lojistas, representantes de diversos estados, profissionais de relações institucionais e parlamentares ligados à Frente Parlamentar do Comércio, Serviços e Empreendedorismo.

O encontro teve como objetivo fortalecer o diálogo entre o Sistema CNDL/CDLs e o Congresso Nacional, especialmente diante de pautas legislativas com forte impacto sobre o varejo, a geração de empregos, a competitividade das pequenas empresas e a sustentabilidade dos negócios locais.

  1. Principais pautas discutidas

1.1 Escala de trabalho 6×1 / proposta de mudança para 5×2

A pauta considerada mais sensível foi a discussão sobre eventual alteração da escala de trabalho atualmente praticada em diversos setores do comércio e serviços.

Foi ressaltado que o setor reconhece a importância da qualidade de vida do trabalhador, do descanso adequado e da modernização das relações de trabalho. No entanto, houve forte preocupação com propostas que imponham mudanças abruptas, sem considerar a realidade operacional das micro e pequenas empresas.

Entre os principais pontos levantados:

  • O pequeno empresário tem menor capacidade de adaptação do que grandes redes.
  • Setores como farmácias, supermercados, shoppings, alimentação, serviços essenciais, segurança, limpeza e atividades rurais podem sofrer impacto direto.
  • A mudança pode elevar custos, reduzir margens, pressionar preços e comprometer empregos.
  • Há risco de fechamento de pequenos negócios e aumento da concentração econômica em grandes empresas.
  • A proposta precisa prever diferenciação por porte, setor e realidade operacional.

A avaliação política apresentada é que a pauta possui forte apelo popular e eleitoral, exigindo atuação técnica, articulada e preventiva das entidades empresariais.

  1. Atualização da tabela do Simples Nacional

Outro ponto de grande relevância foi a defesa da atualização dos limites do Simples Nacional.

Foi destacado que a defasagem da tabela, corroída pela inflação ao longo dos anos, tem levado muitas empresas ao estrangulamento tributário, à informalidade ou à perda de competitividade.

A atualização do Simples foi tratada como uma pauta positiva, de inclusão produtiva e fortalecimento da economia local, não como renúncia fiscal. O argumento central é que o Simples Nacional permitiu a formalização de milhões de pequenos negócios e deve continuar sendo instrumento de desenvolvimento econômico.

Foi informado que houve avanço político para instalação de comissão especial destinada a tratar do tema, com expectativa de tramitação ainda no semestre.

  1. Defesa do tratamento diferenciado às pequenas empresas

Os parlamentares e representantes presentes reforçaram que o tratamento diferenciado às micro e pequenas empresas não é favor, mas mandamento constitucional.

A pequena empresa foi apresentada como base da economia real brasileira, especialmente no interior e nos bairros, sendo responsável por geração de emprego, circulação de renda e fortalecimento das comunidades locais.

Também foi destacado que, quando o pequeno negócio desaparece, ocorre concentração de mercado, redução da concorrência e maior dependência das grandes corporações.

  1. Concorrência digital, importações e assimetrias regulatórias

O encontro também abordou a preocupação com a concorrência desigual entre o varejo físico tradicional e plataformas digitais, marketplaces, importações internacionais e novos modelos de operação tecnológica.

Foram mencionados pontos como:

  • Diferenças tributárias entre loja física e operação digital.
  • Custos do varejo presencial com IPTU, taxas, encargos, folha, aluguel e obrigações locais.
  • Crescimento de importações com baixo controle de qualidade e forte impacto sobre comércio e indústria nacionais.
  • Necessidade de regras mais equilibradas para garantir concorrência justa.

A defesa apresentada foi de que o comércio brasileiro precisa competir em condições mínimas de equilíbrio, sem privilégios indevidos a determinados modelos de negócio.

  1. Reforma tributária e atuação das frentes parlamentares

Foi reconhecido o papel das frentes parlamentares na defesa de avanços e ajustes na reforma tributária, especialmente em temas como cesta básica, regimes diferenciados e setores sensíveis.

Também foi pontuado que, além de aprovar boas propostas, as frentes parlamentares cumprem papel estratégico ao impedir ou ajustar projetos que poderiam gerar prejuízos ao setor produtivo.

  1. Estratégia política recomendada

Um dos pontos mais fortes da reunião foi a orientação de que as entidades empresariais precisam ampliar sua atuação política nos estados.

Foi ressaltado que não basta dialogar apenas com parlamentares já alinhados ao setor. É necessário atuar diretamente junto aos deputados de cada estado, especialmente aqueles que venham a integrar comissões relacionadas às pautas prioritárias.

Encaminhamentos sugeridos:

  • Mapear deputados federais de cada Estado com influência nas pautas de comércio, trabalho, tributação e pequenas empresas.
  • Aproximar aa FCDLs e CDLs dos parlamentares do estado.
  • Produzir dados, estudos e casos reais sobre impactos no comércio local.
  • Mobilizar empresários associados para demonstrar a capilaridade e relevância eleitoral do setor.
  • Trabalhar a narrativa pública mostrando que a defesa da empresa também é defesa do emprego.
  • Atuar antes da votação, especialmente na fase de comissão, quando ainda é possível ajustar o texto.
  1. Pontos de atenção para a FCDLs e CDLs

Para a CNDL, FCDLs e CDLs, o encontro reforça a necessidade de atuação institucional permanente em Brasília e no estado e nos municípios.

As pautas discutidas afetam diretamente o comércio em qualquer parte do país, sobretudo pequenos lojistas, farmácias, supermercados de bairro, restaurantes, prestadores de serviço e empresas familiares.

O papel da representatividade é assumir papel protagonista em três frentes:

  1. Articulação política: diálogo com bancada federal em cada estado.
  2. Produção técnica: levantamento de dados sobre impacto econômico nas empresas locais.
  3. Comunicação institucional: construção de narrativa clara para sociedade, mostrando que comércio forte gera emprego, renda e desenvolvimento.
  4. Conclusão

A visita institucional da CNDL à Câmara Federal demonstrou a importância da presença organizada do setor produtivo no debate legislativo nacional.

As pautas em tramitação podem impactar profundamente o comércio, especialmente as micro e pequenas empresas. Por isso, a atuação deve ser firme, técnica, propositiva e suprapartidária, sempre em defesa do empreendedorismo, do emprego, da competitividade e da economia local.

Mais do que reagir às decisões de Brasília, o momento exige antecipação, estratégia e protagonismo institucional.

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